sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Termo de existência.

Definir ausência é prepotente, e forte demais para ser usado agora.
O que sinto, então?
O frêmito das cores, a veemência da voz.
O poder de decisão, o discernimento.
A força, a luta. E tudo aquilo que melhor te definir.
Sei não queres mais nada de nós agora, e que colorir o céu, como coloriste hoje, ficou pequeno diante de sua imensidão, agora, descompactada.
Peço então que continues fazer aí, o que tão bem fizeste aqui.
E prometo, que não me esquecerei das cores. E a partir de hoje, senti-las-ei, como te sinto agora.

Até a proxima vez.

"Lembro das tardes que passamos juntos.
Não é sempre, mas eu sei que você está bem agora.
Só que este ano o verão acabou, cedo demais."

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

À ele.

Impreterivelmente sou o meu maior perigo; mas me sinto suficientemente vulnerável quando o sinto.

Quando longe, és como as Brumas de Avalon, tão misterioso e imaginário que dar-te um gole de realidade parecer - me -ia inquieto. Mas quando surges és tão outro, e múltiplo, que eu preciso fechar meus olhos para ver-te. E as vezes este cerrar de pálpebras me é tão difuso que me entrego a passividade do sofá. E quando assusto -me estou exatamente igual e inerte.

Como me sinto agora.

Lembrando - me até do que não vivi.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Somos feitos de momentos. De conversas, sorrisos.
Somos feitos de pessoas. Amigos e inimigos.


Entender que viver é -necessariamente- ter histórias pra contar, é uma virtude. Deliciosamente recheada de luxúria.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Regresso.

Estive ausente por um bom tempo.
E regressei em minha melhor fase.

Hoje, com uma vontade enorme de me sentir efêmera, no sentido mais amplo da palavra.
De correr - grandes - riscos e me entorpecer depois de dia seguinte.

Desejo enorme de me esquecer de pessoas, de
histórias, dos conceitos e ser fiel apenas a mim e ao que sinto.

Anseio por longos momentos de loucura.
E anseio mais, conseguir contar poucos deles depois.

"Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher.
Sou minha mãe, minha filha, minha irmã, minha menina.
Mas sou minha, SÓ minha."

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Elocução, apenas.

Sentindo certo incomodo hoje.
E uma saudade sufocante do que ainda não vivi...
Assim, de uma forma inexplicável, eu desejo o desconhecido agora.
E faço – sinceros – votos de que isso chegue, e bem rápido.


"O que sinto muitas vezes faz sentido.
E outras vezes não descubro o motivo que me explique por que é
que nao consigo ver sentido no que sinto, o que procuro, o que desejo e o que faz parte do meu mundo"

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Certas Verdades.

"Todos tem seu encanto: os santos e os corruptos.
Não há coisa na vida inteiramente má.
Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já vistes as flores que a mentira dá?"

(Mário Quintana)

E, francamente, mentiras sinceras me interessam, e muito.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Instante.

Sempre soube muito de mim.
Sempre me defini muito bem.
Fosse por gosto ou gesto.
Por extrema versatilidade ou absoluta entrega.

Mas hoje, por um - quase - desconhecido motivo, não consigo ao menos me esboçar.
E me confundo, me perco.
Crio e destruo conceitos.
Penso e dispenso.

Mas, garanto, essa ausente justificativa me fez afogar em deliciosos devaneios.
E para mim, esse efêmero delírio basta, e compõe bons momentos.
Que guardo.

quarta-feira, 26 de março de 2008

A saudade é um trem de metrô.

"Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.

Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada podeDizer-te.
A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente

Imita o Olimpo no teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam."

(Fernando Pessoa).

Hoje, com uma vontade sufocante de voltar pra casa.
De pedir um colo e me sentir menina.

terça-feira, 25 de março de 2008

TRADUZIR-SE


Uma parte de mim é todo mundo,
outra parte é ninguém,
fundo sem fundo.
uma parte de mim é multidão,
outra parte estranheza e solidão.
Uma parte de mim pesa, pondera,
outra parte delira.
Uma parte de mim é permanente,
outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem,
outra parte, linguagem.
Traduzir-se uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte -
será arte?


Ferreira Gullar
Cada um se vira como pode.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Foto - Grafia

Apenas por vontade de colorir com a luz hoje.

Tenho andado distraída, impaciente e indecisa.
Mas sempre, muito colorida.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Regresso.

De volta.

E com vontade de poucas palavras hoje.
Vim apenas dar sinal de vida.

"Mudam-se os tempos,
Mudam-se as vontades,
Muda-se o ser,
Muda-se a confiança.
Todo o mundo é composto de mudanças,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades
Diferentes de tudo na esperança.
Do mal, ficam as magoas na lembrança.
Do bem, se algum houve, as saudades.
(...) "

Que venham as loucas mudanças pr'essa minha vida pacata; q
ue eu to cheia de vontade de me embebedar de novidade.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Prefácio

Sou um misto de malemolência e atividade.
De veemência e cor.
Amante de imagens e formas.
De palavras, luz baixa e suco de laranja.