quarta-feira, 26 de março de 2008

A saudade é um trem de metrô.

"Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.

Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada podeDizer-te.
A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente

Imita o Olimpo no teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam."

(Fernando Pessoa).

Hoje, com uma vontade sufocante de voltar pra casa.
De pedir um colo e me sentir menina.

terça-feira, 25 de março de 2008

TRADUZIR-SE


Uma parte de mim é todo mundo,
outra parte é ninguém,
fundo sem fundo.
uma parte de mim é multidão,
outra parte estranheza e solidão.
Uma parte de mim pesa, pondera,
outra parte delira.
Uma parte de mim é permanente,
outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem,
outra parte, linguagem.
Traduzir-se uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte -
será arte?


Ferreira Gullar
Cada um se vira como pode.